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Notícias > 13 Junho 2026

Governo certifica Caminho de Torres


O Caminho de Torres passou a integrar a rede de itinerários do Caminho de Santiago certificados pelo Governo, na sequência da portaria publicada em Diário da República a 12 de Junho de 2026. Com 180,49 quilómetros entre Sernancelhe e Valença, o percurso liga-se, em território nacional, aos Caminhos Central, Litoral e Interior, já reconhecidos oficialmente, e prolonga-se até Santiago de Compostela.

Em Portugal, o Caminho atravessa 15 municípios: Sernancelhe, Moimenta da Beira, Tarouca, Lamego, Peso da Régua, Mesão Frio, Baião, Amarante, Felgueiras, Guimarães, Braga, Vila Verde, Ponte de Lima, Paredes de Coura e Valença. Os dois últimos já faziam parte, desde finais de 2023, do Caminho Português de Santiago Central – Porto e Norte.

Esta certificação, que pretende reconhecer e proteger o património cultural e natural do Caminho de Santiago e garantir os serviços adequados de apoio ao peregrino, comprova que o percurso cumpre os requisitos de segurança e acessibilidade e dispõe de equipamentos de apoio e informação. Durante a sessão de abertura das Jornadas Europeias da Cultura, em Barcelos, o secretário de Estado da Cultura Alberto Santos destacou a importância desta certificação para o desenvolvimento turístico e cultural do Norte de Portugal.

O Caminho de Torres atravessa duas áreas classificadas como Património Mundial da UNESCO, o Alto Douro Vinhateiro e o Centro Histórico de Guimarães, e passa ainda por territórios de assinalável valor histórico, cultural e paisagístico. A portaria destaca também a dimensão religiosa, cultural e literária do trajecto, com referências a património imaterial, práticas religiosas e lugares associados aos autores Raul Brandão, Teixeira de Pascoaes, Miguel Torga, José Leite Vasconcelos, Camilo Castelo Branco e Aquilino Ribeiro.

O uso do Caminho ao longo dos séculos está documentado por uma investigação académica que reuniu registos escritos, vestígios arqueológicos e outros bens patrimoniais. Entre as referências históricas citadas na portaria estão Torres Villarroel, peregrino que deu nome ao percurso, os caminhos associados a São Gonçalo nos séculos XII-XIII, a referência a um peregrino inglês na Sé de Lamego, em 1683, e a peregrinação de João Valente, em 1723.

A portaria destaca ainda património como a Sé e a capela de São Sebastião, em Lamego; o túmulo de São Gonçalo e a ponte sobre o Tâmega, em Amarante; o Mosteiro de Pombeiro, em Felgueiras; a imagem de Santa Maria de Guimarães, a colegiada de Nossa Senhora da Oliveira e os conventos de São Francisco e de São Domingos, últimas moradas de São Gualter e do beato Frei Lourenço Mendes, também em Guimarães; a Catedral de Braga; e a Ponte de Ponte de Lima, uma das referências mais reconhecidas da peregrinação jacobeia em Portugal.

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