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Notícias > 18 Junho 2026

Percorrer o Caminho de Santiago na meia-idade


Quase 40% dos peregrinos que concluíram este ano o Caminho de Santiago tinham entre 46 e 65 anos, segundo dados da Oficina del Peregrino. A expressão desta faixa etária nas estatísticas oficiais mostra que fazer a peregrinação na meia-idade está longe de ser uma excepção. Não só contradiz a ideia generalizada de que percorrer o Caminho é coisa de jovens, como pode ser compensador.

Ainda assim, persiste a ideia de que o Caminho pode ser demasiado exigente depois dos 50 anos. São pelo menos 100 km a pé e muita gente desta faixa etária afasta a hipótese à partida, convencida de que o corpo já não aguenta esse esforço físico e mental prolongado. Os números desmentem o preconceito, e há razões que explicam por que este é hoje o grupo mais representado.

Um dos motivos é a experiência. A cultura da peregrinação aproxima desconhecidos de forma espontânea e natural, facilitando a criação de novas relações, o que tem especial valor numa fase da vida em que fazer novos amigos não é assim tão simples. A isso juntam-se os benefícios cardiovasculares da caminhada e a satisfação pessoal de concluir um novo desafio, que muitos descrevem como espiritual ou transformador.

Na escolha do percurso, o ponto de partida deve contar na gestão do esforço. Para os peregrinos menos jovens, o Caminho a partir do Porto surge como a opção mais moderada: bons acessos e infra-estruturas, hotéis com qualidade e uma distância significativamente menor do que desde Lisboa ou Santarém. O Caminho Português da Costa ganha adeptos no verão, por ser junto ao mar, mas pode ser fisicamente mais exigente.

Mesmo nos percursos mais acessíveis, a preparação para o Caminho é indispensável. Bolhas e feridas nos pés são as queixas mais frequentes e por isso estes merecem atenção redobrada desde o início da caminhada. Ir ao médico antes de partir, fazer pausas regulares, hidratar-se e fazer uma alimentação mais calórica ajudam a compensar o esforço. Sintomas como tonturas, dor que não passa, inchaço nas articulações ou dor no peito devem ser tomados como um sinal para parar.

Em Portugal, a adesão desta faixa etária também se explica pela relação histórica do país com o Caminho, contando com uma presença expressiva de portugueses nas estatísticas da Oficina del Peregrino. O Caminho Português ocupa o segundo lugar entre os mais percorridos, com 21% dos peregrinos, ainda distante do Caminho Francês, com 42,66%.

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