Incêndios em Espanha obrigam a cortar Caminho de Santiago
A Península Ibérica enfrenta uma das piores épocas de incêndios florestais das últimas duas décadas. Em Espanha, já arderam mais de 344 mil hectares desde o início do ano, enquanto em Portugal a área queimada ultrapassa os 216 mil hectares. O calor extremo, com temperaturas que chegaram aos 45 ºC, e uma onda de calor que se prolongou por 16 dias — uma das mais longas dos últimos 50 anos — criaram condições que explicam a dimensão da catástrofe.
Foi neste cenário que as autoridades espanholas decidiram encerrar pela primeira vez parte do Caminho de Santiago. Cerca de 50 quilómetros da rota foram cortados nas regiões da Galiza e de Castela e Leão, onde mais de 20 focos devastaram milhares de hectares na última semana e obrigaram também à suspensão de ligações ferroviárias. Conforme comenta uma peregrina: “para quem percorre o Caminho, a interrupção pode ser apenas um adiamento, mas para as populações locais a devastação é permanente”.
A ministra da Defesa, Margarita Robles, classificou a situação como inédita nas últimas duas décadas, sublinhando que os incêndios apresentam “características especiais” provocadas pelas alterações climáticas e pelo aquecimento global. O Governo espanhol destacou 1.900 militares para apoiar os bombeiros, mas a densidade do fumo tem limitado a utilização de meios aéreos.
Quatro pessoas morreram desde Junho, incluindo um bombeiro vítima de acidente rodoviário durante o combate às chamas. O Ministério do Interior informou ainda que 27 indivíduos foram detidos e outros 92 estão sob investigação por suspeita de fogo posto desde o início do verão.
Segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), Espanha regista já a maior área ardida desde 2006, mais de quatro vezes a média do período 2006-2024. Também em Portugal a situação é considerada muito grave: mais de 216 mil hectares foram destruídos, número também quatro vezes acima da média, e duas pessoas perderam a vida.